quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Assim foi!

Cheiro e gosto ainda em mim...
A rede parou o tempo da mente, que correu no relógio.
Olhos fechados que vêem luzes desconhecidas.
Um tato... Um fato.
Encontro escondido, fabricado a meia sombra, com carinho, preocupação, admiração.
Corpo que une corpo.
Regressão inspirada em fogos de artifício.
Ficar a vontade, com cabelo, cara, roupa e emoção que quiser.
Crise de choro, riso, decepção, felicidade, gozo... Tudo bem!!!
Quando o dia acabar, chegam um suspiro e uma invasão de bom humor.

Menina Jaci

Numa tribo do muito distante, o costume antigo era; mulher menstruou, mulher fica presa.
Uma oca preparada para recebê-las.
Durante todo o ciclo sanguíneo elas ficavam lá. Sem luz do sol!
Quanto mais durava, melhor era a moça para casar.
Era considerada mais fértil, boa parideira.
E por ali, o que interessava mesmo aos homens, era mulher que pudesse ter muitos filhos.
Jaci, desde pequeninha olhava aquilo e achava uma afronta.
Pois Jaci um dia cresceu, mocinha virou, e lá foi ela... Carregada para a tal oca.
Ia a menina triiiste, parecia indo a uma forca.
Contava os dias dentro da toca escura, achando tudo uma grande tolice.
Acreditava no amor! Não em cadeia!
Não tinha vocação nenhuma para passarinho enjaulado.
Não dava conta de nada que se fazia por ali, não sabia trançar balaio, nem moldar tigela de barro, fazia tudo errado.
Levava três dias para fazer o que as outras faziam em poucas horas.
Gostava mesmo era de caçar, solta no mato.
Para o azar da pequena, era a que ficava mais tempo enclausurada, nove longos dias.
É muito tempo, se você pensar que o mês tem aproximadamente trinta dias, passava 1/3 de sua vida na escuridão.
Chorava quietinha, pq não podia despertar a curiosidade das outras.
Um dia, anunciada pela lua, na véspera de sua prisão, sumiu no mato.
Só carregou com ela o arco e a flecha de seu velho pai.
Nunca mais se teve notícias de Jaci!

Papos que enriquecem!

Um legítimo Preto Velho.
De carne, osso, chapéu e cigarro de palha.
Contou que um cara invejoso plantou cobras de duas cabeças em seus tendões.
Já não podia andar, cinco anos de sofrimento.
E vejam só, um Exú foi quem salvou.
Na grande sabedoria, advertiu que a batalha cotidiana é se suportar.
Que os bichos de muitas cabeças devemos deixar passar.
Ao invés de ficar contando quantas cabeças tem.
Disse já me conhecer, que sua impressão era que já fomos parentes em outras.
De nada sei, sei que o velhinho é muito do humilde e gracioso.
Seu Pedro.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Atchin!

Um inesperado ataque de espirro
Para exorcizar o péssimo dia
Rinite, asma, claustrofobia!
Um dia passa.
Tudo tudo passa!
Abri os armários, passei lustra-móveis, redobrei as roupas, varri embaixo da cama...
E a casa continua uma bagunça irritante.
A casa de dentro é que tá zoneada.
Sujeira no copo, não tempestade.
Vou para a montanha...
Um mês, talvez seja o suficiente.
Ou não!
Recolher num ninho.
Fazer curativo nas asas.
Subir na árvore mais alta, mirar o mundo, e me jogar...
Com a certeza única que as asas vão abrir, e executar sua função.
Hum...
Um grande problema...
Asas não executam, só voam!
Que anseio babaca é esse de liberdade?
Um grito que podia ser só sussurro!
Uma Odisséia que deveria ser um livro fino de bolso...
O ano virou...
Esse só é o sexto dia, 2012 é quem vem lá!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Lento e nada leve

Os caracóis prateados apareceram...
Anunciaram o dilúvio!
Os seres humanos não entenderam nada de fim dos tempos.
Os caracóis prateados entendem!
Com suas conchinhas resistentes, se guardam, meditam, calmos... mas sempre a frente.
Uma reflexão boa de observar.
Deixam um rastro gosmento, com a finalidade de observar, e não cometer os mesmos caminhos.
Sabem que cada curva é um errar.
Mas o ponto de vista é outro, é o de um caracol prateado.
Que longe longe vai.
Devagar e quase sempre.

Dó!

Menina vagabunda,
Só se estraga.
Não sabe mais o valor do real.
Tripudia das mensagens subliminares.
Conquista o samba da esquina.
Requebra.
Rebola.
Revira a Kundalini.
Fecha os olhos, sorri no mundo criado.
Uma fugitiva!
Refugiada de si.
Fala tanto de si...
Só queria ser mais silenciosa.
Menos ansiosa.
Menos humilhada.
Menos coitada.
Ai quanta dó de si.

Ai solidão!

Em bando, misturada...
Para não me sentir tão só.
As vidas podiam ser menos particulares.
O bem deveria ter endereço.
As moradas, onde estamos.
Nunca pressa de partir.
Essa separação entre vagabundo e certinho...
Artista e trabalhador...
Tão desigual!
Gritar a liberdade? 
Tão inocente! Tão fútil! Tão infantil!
Liberdade mesmo é ser dono de si, não precisar gritar por nada!
Entre um e outro sorriso fabricado, choro por dentro.
A incompreensão, a falta de prazer, a preguiça!
Um papinho sei lá oq, sei lá pra onde...
Um pinto...
Daqueles que voa porra, como qualquer outro!
Tô querendo me relacionar com anjos, aqueles de verdade.
Com asas...
Tudo preparado, lugar ao céu!